Ciclismo em pauta
- Felipe Cunha
- 25 de nov. de 2025
- 3 min de leitura
Ciclistas avaliam experiência pelo bairro e opinam sobre melhorias

Ao longo da primeira semana de novembro, cerca de 20 ciclistas que circulam rotineiramente pela Vila Olímpia participaram de uma pesquisa feita pelo Diário da VO e revelaram suas percepções sobre a estrutura cicloviária do bairro. Embora a maioria aprove a quantidade de ciclofaixas, críticas à sinalização e preocupações com segurança aparecem com força nos relatos.
Os questionamentos da pesquisa também levaram em conta o gênero dos entrevistados, a sua idade, quantos quilômetros percorrem por dia, os motivos que fizeram com que eles passassem a andar por essas ruas, os desafios de dividir espaço com os automóveis e possíveis melhorias a serem feitas na região.
Quantidade de ciclofaixas
Para cerca de 85% dos entrevistados, a quantidade de ciclofaixas é satisfatória. Miguel Ritter, estudante de 22 anos, ressalta essa informação. “Ando por aqui principalmente por causa das ruas com mais espaço e ciclovias/ciclofaixas em abundância nas avenidas.”
Não existem dados oficiais sobre a extensão da malha cicloviária do bairro. Fazendo uma estimativa com base na extensão total das ciclovias que percorrem a região, a Vila Olímpia tem entre 6,5 e 7,5 km de vias com algum tipo de tratamento cicloviário (ciclovia, ciclofaixa e ciclorrota).
Melhorias na sinalização
A principal crítica dos usuários é a falta de sinalização adequada; essa foi uma reclamação de pelo menos 45% das pessoas que foram entrevistadas. Uma das solicitações que mais se repetiu nesse quesito foi o aumento dos faróis para ciclistas. “É meio ruim ter que ficar se orientando somente pelos semáforos exclusivos dos automóveis”, disse Daniel Macedo, de 33 anos.
Níveis de segurança
A maioria dos entrevistados respondeu que se sente parcialmente seguro para andar no bairro (52,6%), enquanto outros 36,8% têm plena segurança. 10% dos entrevistados disseram não ter confiança. Em relação aos acidentes no bairro, dos 20 entrevistados, 6 já sofreram algum tipo de acidente. Um dos ciclistas diz que foi atropelado por um carro que saía de um estacionamento e não o viu passando.
Mobilidade urbana
A região tem um intenso fluxo de carros, motos e outros automóveis. Segundo um estudo publicado pela Companhia de Engenharia e Tráfego (CET), no ano de 2024, das vinte avenidas com o trânsito mais carregado na cidade, duas ficam próximas à região da Vila Olímpia (Marginal Pinheiros e Av. dos Bandeirantes).
Escapar do trânsito intenso da região é uma prioridade para quem usa a bike para chegar ao trabalho. O médico Javier Miguelez, que é um dos coordenadores da Maternidade São Luiz Star, disse que o que o levou a andar de bike pela região foi justamente evitar o trânsito intenso próximo ao hospital. A hoteleira de 54 anos Daniela Passador também teve a mesma atitude: “Guardo meu carro na segunda e só pego na sexta. A bicicleta te dá uma liberdade e uma qualidade de vida impressionante.”
Outro aspecto muito citado pelos entrevistados é a prática de atividades físicas. Ao menos 40% deles citaram que fazem uso da bike com essa finalidade. Um dos destinos mais visitados para isso é o Parque do Povo, que se encontra no limite da Vila Olímpia com o bairro do Itaim Bibi. Para Gabriel, 12 anos, o Parque foi o maior atrativo para andar pela região. “Meu pai já andava por aqui, comecei a vir também.”

Independentemente de qual seja o motivo para o uso, as bicicletas são marca registrada do bairro, que representa de forma muito fiel o estilo de vida e as características dessa comunidade.



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